Edição: 11967 Data: 23/03/2017

Editorial - Coluna 2

Coluna 2

23/03/2017


Por Antonio Augusto



Só para variar, mais uma nota sobre o sistema postal brasileiro: carta postada no dia 10 de março em Colina (uma cidade da região de São José do Rio Preto), chegou aqui em Garça no dia 21 de março. Demorou inexplicáveis 11 dias para percorrer pouco mais de 200 quilômetros. Pelo visto os atrasos continuam, o que é intolerável numa época de grandes avanços na comunicação, inclusive eletrônica. Por isso os Correios não podem continuar oferecendo um serviço tão moroso assim.


Mais uma reclamação. Ontem estivemos percorrendo o Bairro Jardim Sol Nascente e constatamos que o trecho final da Rua Cícero Guanaes Simões Júnior, está em péssimas condições. Os buracos - alguns de grandes dimensões - acabam dificultando o tráfego de veículos, além de colocar em risco a parte mecânica dos mesmos. A Operação Tapa-Buracos da Prefeitura deveria colocar aquela via pública como ítem prioritário. Diante do estado lastimável da pavimentação, que praticamente desapareceu, nem sei se apenas tapar os buracos vai resolver. Só mesmo um recapeamento daria jeito nessa situação.


O deputado federal Walter Ihoshi, que possui sua base eleitoral em nossa região, mantendo, inclusive, um escritório político em Marília, estará visitando nossa cidade hoje. Na Câmara Municipal, às 10h00, o parlamentar  estará recebendo amigos e correligionários para um bate-papo sobre a situação política nacional. Ioshi, por várias vezes, foi o autor de emendas ao orçamento da União, beneficiando entidades assistenciais garcenses, em especial o Hospital São Lucas.


Dentre os vários pontos da reforma política que está sendo alinhavada na Câmara dos Deputados, um deles acaba com a figura dos vices (presidente, governador e prefeito). Segundo o relator do projeto, deputado Vicente Cândido (PT-SP), "por que manter um indivíduo na expectativa, com assessor, segurança, carros, gasolina? E o vice tem tendência para conspirar. Isso é indefensável. O país deve ter em torno de uns 15 mil cargos de vices", conclui o deputado.


Caso a proposta de Vicente Cândido venha a passar, o primeiro da linha sucessória seria o chefe do Legislativo, que exerceria o cargo por apenas três meses, com eleição direta em 90 dias. Aqui em Garça, o sucessor do prefeito seria o presidente da Câmara. É uma tese inovadora que fatalmente encontrará grandes resistências, principalmente por parte dos partidos políticos que na impossibilidade de disputarem a eleição para o titular (presidente, governador ou prefeito), se mantém na esfera do governo, emplacando o vice.


Outra novidade no relatório de Vicente Cândido poderá ser a proposta de junção da  eleição de vereador, deputado e senador em um ano e o de prefeito, governador e presidente em outro. Vai sugerir também o mandato de cinco anos, sem direito a reeleição, para o Executivo, a partir de 2018. Ou seja, o novo dispositivo seria colocado em ação já no pleito do próximo ano quando serão eleitos os novos presidentes da República e governadores.


Se a emenda passar, os atuais prefeitos não teriam mais direito à reeleição. Mas o que será eleito em 2019 poderia ganhar um mandato de cinco anos. Em seu parecer, Vicente Cândido apoiará ainda a realização de plebiscito em 2018 para a população decidir se mantém a obrigatoriedade do voto. Hoje todo cidadão acima de 18 anos e até 70 anos tem a obrigação de votar. Já os jovens entre 16 e 18 anos e os da terceira idade, acima de 70 anos, só votam se quiserem, pois trata-se de uma obrigação facultativa. A consulta popular com esse objetivo, seria uma maneira correta de se saber o que pensa o povão sobre esse palpitante assunto. Quem sabe não reside nesse fato, um poderoso estímulo para se modificar o comportamento do eleitorado e também dos políticos? Se o voto deixasse de ser obrigatório, só exerceria esse direito quem estivesse atualizado com o panorama político e portanto, em condições de fazer uma boa escolha. Nesse momento, mesmo com o voto obrigatório, é bom lembrar que vem aumentando a cada eleição, a abstenção: o número dos que se ausentam das urnas cresce de forma assustadora, demonstrando que uma boa parte da população não quer mais se envolver no processo eleitoral.