Edição: 11375 Data: 25/10/2014

Notícias - Garça

RECONSTRUÇÃO DA MAMA - Mais de mil cirurgias já foram realizadas

08/06/2013 -


O cirurgião plástico Leo Pastori: ““É um trabalho voluntário, absolutamente sem fins lucrativos” 

Trabalho voluntário entre cirurgião plástico e mastologista de Marília beneficia mulheres da região


Um sucesso. Assim classificou Dalva Maria da Silva, a “Dalvinha da Mamografia” da Santa Casa de Garça, que foi quem encabeçou a organização da palestra “Reconstrução da Mama”, que ocorreu na quarta-feira, 5, às 19 horas, no auditório do CRE (Centro de Referência em Educação). Diversos segmentos estiveram representados, entre tantos interessados que acorreram ao local.

A palestra foi proferida pelo cirurgião plástico de Marília, Dr. Leo Pastori Filho. O evento teve total apoio da direção da Santa Casa. Leo Pastori veio acompanhado de seu parceiro de trabalho na área, o mastologista Carlos Giandon. Estiveram presentes e compuseram a mesa principal, o vice-prefeito e obstetra, Marcos Lopes Miranda, o secretário municipal de Saúde, ex-vereador Pedro Henrique Scartezini, o radiologista Rafael Hanzé e Carlos Giandon.

Em entrevista, Leo Pastori destacou que já foram realizadas mais de mil cirurgias de reconstrução desde 1999, quando seu trabalho começou em Marília.

“Quanto ao câncer de mama na nossa região, começamos essa abordagem no ano de 1999 – eu e o mastologiosta, Dr. Carlos Giandon, que também compareceu aqui na palestra. Terminando a nossa formação, voltamos para a nossa cidade, e pensamos em devolver para a sociedade tudo aquilo que a sociedade nos tinha dado em termos de formação. A partir daí, em 99, fizemos a primeira mastectomia com reconstrução mamária da região, e depois disso o serviço só tem crescido”, contou.

O cirurgião plástico disse ainda que apesar da diferenciação técnica, estava faltando alguma coisa. “Não adiantava só fazermos e fazermos bem feito, tendo resultados sobreponíveis na comparação com quaisquer grandes serviços ao redor do mundo, sem terminar de alinhavar essa relação com as pacientes. Então, o objetivo desse grupo (Amigos do COM) foi, não somente fornecer a parte médica técnica, mas alinhavar com as outras necessidades não médicas que todo paciente portador de câncer de mama tem”.



GRUPO

Falando da formação do Grupo Amigos do COM (Centro Oncológico de Marília), Leo Pastori informou que ele existe há dois anos. “Nesse grupo que criamos há dois anos, cria-se a interface entre a paciente que o Dr. Carlos acaba de fazer o diagnóstico com aquela outra paciente que já fez o diagnóstico do câncer de mama, fez a quimioterapia, a radioterapia, a cirurgia, a reconstrução da mama. Assim, ele acabou de fazer o diagnóstico, entra num interface com uma que já passou por tudo isso, curada, podendo a outra mirar-se naquilo, sendo um grande estímulo e ela pode começar o tratamento”.

Para Leo Pastori, não há promessa de cura, mas de tentativa de melhor qualidade de vida. “A gente não cura, Mas tentamos dar condições da natureza nos ajudar a que a paciente viva melhor. Por isso, a grande importância hoje do câncer de mama é o diagnóstico precoce, pois nesses casos, a gente tem cura”.

Quanto à realização de seu trabalho cirúrgico em parceria com o do mastologista Carlos Giandon, trata-se de voluntariado. “É um trabalho voluntário, absolutamente sem fins lucrativos. E uma vez por semana, eu e o Dr. Carlos saímos da clínica privada e vamos atender essas pessoas que estão precisando. Nesses treze anos, temos mais de mil pacientes operados. E nós estimulamos e estamos com essas meninas do Amigos do COM, que é o nome do grupo que criamos, e desejamos que isso se estenda como uma corrente do bem em benefício da sociedade”.  

Câncer de mama está ligado ao tratamento precoce, diz médico

O mastologista Carlos Giandon destacou que a questão do câncer do mama está intimamente ligada com o tratamento precoce, ou seja, quando se faz o diagnóstico precoce do câncer de mama, há uma chance de cura de em torno de 90% dos casos.

“Nós procuramos fazer o diagnóstico precoce através do exame de mamografia, e o exame de imagem, através do raio X, se que se detectam pequenos nódulos, pequenos tumores, e que poderão futuramente crescer e se disseminar”, disse.

E acrescentou: “Quando se consegue fazer um diagnóstico muito no início, há uma chance muito boa e é isso que viemos divulgar. Portanto, as mulheres têm se de conscientizar que há uma necessidade de se fazer uma detecção precoce, que chamamos de prevenção, isso em mulheres após os 40 anos de idade”.

Para o mastologista, seria interessante as mulheres que tiverem condições, fazer um exame a cada dois anos para procurar casos de câncer de mama em estágio inicial. E foi mais além: “O tratamento do câncer de mama é multidisciplinar, pois depende de psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais”.

Carlos Giandon também falou do grupo Amigos do COM que tem tido uma inserção na sociedade muito boa, pois são todas pacientes que fizeram a cirurgia de mama com a mastectomia e reconstrução.

“Elas encontram um apoio psicológico dentro do próprio grupo, buscando também aquilo que todo mundo quer, que é a reinserção na sociedade após um tratamento de um câncer de mama”, afirmou.

Para o médico, a questão da discussão é muito importante, por isso, se for possível, seria bom introduzir um grupo na cidade que estivesse preocupado com a questão do tratamento e acolhimento das pacientes com câncer de mama, e até outros tipos de câncer, tendo o apoio de todos, da população e do município, a exemplo da já existente “Associação Voluntários do Câncer”.



DIREITO

O Congresso Nacional aprovou e a presidente da República, Dilma Rousseff, sancionou a Lei 12.802/2013, que obriga o SUS (Sistema Único de Saúde) a fazer a cirurgia plástica reparadora da mama logo em seguida à retirada do câncer, quando houver condições médicas. A lei anterior (Lei 9.797/1999) já previa que mulheres que sofressem mutilação total ou parcial de mama (mastectomia) teriam direito a cirurgia plástica reconstrutiva, mas sem especificar o prazo em que ela deveria ser feita.

Se a reconstrução não puder acontecer imediatamente, a paciente deverá ser encaminhada para acompanhamento clínico. Além da lei sobre reconstrução de mama, os senadores também aprovaram a Lei 12.732/2012, que estipula prazo máximo de 60 dias para o SUS dar início ao tratamento de pacientes diagnosticados com câncer. Sancionada em novembro pela presidente Dilma Rousseff, a lei já está em vigor. 


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