Edição: 11438 Data: 30/01/2015

Notícias - Garça

Garça soma 76 casos e está perto de uma epidemia de dengue

30/01/2015 -


Nebulização vem sendo realizada de forma constante nas áreas afetadas

“Estamos próximos de enfrentar uma epidemia de dengue”. O alerta é da enfermeira Edna Semenssato, responsável pelo setor de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde. Segundo ela, até ontem Garça totalizava 78 casos da doença nos primeiros 29 dias de janeiro. No mesmo período do ano passado foram apenas três casos. A situação é mais que preocupante. Apesar dos esforços das autoridades competentes, os números aumentam diariamente de forma assombrosa, e não há muitas perspectivas de que a transmissão da dengue cesse. Para se ter uma ideia, a semana começou com cerca de 30 casos.

Para Edna, a população é fundamental nessa guerra. “Cada cidadão tem que cumprir seu papel eliminado os criadouros, seja em casa ou no trabalho, para que possamos juntos interromper essa transmissão que está em toda a cidade. Se não conseguirmos sucesso provavelmente teremos uma epidemia”, diz a enfermeira.

Em razão do aumento da infestação pelo mosquito por causa da chuva, Edna convoca toda a população a colaborar no combate deste vetor tão prejudicial e perigoso à saúde de todos, colocando em prática, diariamente, medidas para eliminar ou evitar os criadouros domésticos eliminando objetos que possam acumular. A enfermeira salienta que o combate à dengue só se torna eficaz quando a população participa de forma efetiva.

Algumas medidas feitas em casa são eficazes contra a dengue, como por exemplo encher de areia, até a borda, os pratos dos vasos de plantas; no caso de plantas aquáticas, trocar a água e lavar o vaso com escova, água e sabão pelo menos uma vez por semana. Se os pratos dos vasos acumularam água, a recomendação é lavar com água e sabão e, posteriormente, enchê-los com areia.

O lixo deve ser colocado em sacos plásticos e a lixeira deve estar sempre fechada. Todos os objetos que podem acumular água, como embalagens usadas, devem ser jogados no lixo. Manter sempre as caixas d’águas fechadas; remover folhas e tudo o que possa impedir a água de correr pelas calhas. Manter as garrafas sempre viradas para baixo.

“A fiscalização de sua casa, a limpeza de seu quintal é de responsabilidade sua. O serviço de saúde faz as orientações, explica os procedimentos, faz as nebulizações quando necessário, mas cada um deve verificar seus quintais e eliminar todo e qualquer recipiente que possa reter água”, falou ela. Sem descartar uma epidemia, e lembrando que pode acontecer óbitos em razão da reincidência da dengue, a enfermeira enfatiza que as pessoas devem manter os quintais limpos, verificar as calhas, fazer a limpeza completa do terreno. “Todas essas medidas devem ser tomadas com urgência”, alerta.

Edna esclarece que a nebulização só acontece em caso positivo de dengue. Porém, ela explica que a pulverização de inseticida só mata o mosquito adulto. “A nebulização não elimina os criadouros porque o inseticida não atinge as larvas. Apenas os mosquitos que voam e transmitem a doença. Se houver criadouros, de um dia pro outro essa larva se transforma numa população de mosquito voando. Como temos pessoas doentes, esse mosquito vai picar essas pessoas, se contaminar e continuar disseminando a dengue”, explica.



Marília já tem quase 500 casos e uma morte

Cidades localizadas nas regiões Noroeste e Centro-Oeste de São Paulo estão em estado de alerta com os avanços dos casos de dengue no mês de janeiro. A preocupação das autoridades sanitárias de Garça é ainda maior por conta da epidemia registrada no vizinho município de Marília. Lá já foram registrados esse ano cerca de 500 casos e uma morte foi confirmada.

Em todo o Estado a dengue se alastra assustadoramente. Em Guararapes (região de Araçatuba, com cerca de 30 mil habitantes) já foram confirmados neste ano 661 casos da doença – com três óbitos. Na mesma região, as cidade de Penápolis (mais de 100 casos suspeitos) e Catanduva (com 386 casos confirmados neste ano) cancelaram o carnaval de rua em virtude da preocupação da dengue. Em Getulina (cidade com pouco mais de 10 mil habitantes) o número já chega a 20 casos. E em Tarumã, na região de Assis (cerca de 10 mil habitantes) 165 pessoas já contraíram a doença neste ano.

Em Marília, a Prefeitura está intensificando as medidas de combate à doença, inclusive uma campanha de conscientização junto á população já que de 70 a 90% dos focos da doença estão no interior das residências, onde os agentes de Saúde dificilmente têm acesso. Nos últimos 10 dias, cerca de 300 agentes de saúde do município visitaram mais de 26 mil imóveis da cidade. Desse total, 8.879 imóveis não foram vistoriados por estarem fechados, desabitados ou por recusa do morador, ou seja, cerca de um terço das residências não teve acesso dos agentes.  



Idosos têm 12 vezes mais risco de morrer por dengue

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que os idosos apresentam 12 vezes mais risco de morrer por dengue do que os brasileiros das demais faixas etárias. De acordo com o levantamento, pessoas com mais de 60 anos representam 42% do total de óbitos em decorrência da doença registrado nos primeiros três meses deste ano (132).

Segundo a pasta, a maior vulnerabilidade entre idosos pode estar relacionada à prevalência de doenças crônicas como diabetes e cardiopatias. Por causa desses fatores de vulnerabilidade, o ministério orienta os idosos a procurar uma unidade de saúde assim que surgirem os primeiros sinais da doença.

Os sintomas mais comuns da dengue são febre, dor de cabeça (algumas vezes mais localizada no fundo dos olhos) e nas articulações. Dores abdominais e vômitos persistentes podem ser sinais de agravamento do quadro. A orientação é que, nesses casos, a pessoa busque imediatamente um serviço de saúde.

O ministério destacou ainda que o paciente com suspeita de dengue não deve tomar remédios que tenham em sua composição o ácido acetilsalicílico, como a Aspirina. A recomendação é que a pessoa se hidrate com água, sucos e água de coco.

 


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