Edição: 12028 Data: 23/06/2017

Variedades - Recordar Viver

SOROCABA, DE GOLEIRO A ÁRBITRO

17/06/2017

Sempre procurando homenagear pessoas que colaboraram com o esporte na cidade, a coluna encontrou, no feriado de quinta-feira, com Luiz Guerino, ou simplesmente Sorocaba, jogador e árbitro que fez história em nosso futebol. Foi um bate- papo para lá de agradável, onde muitas histórias e causos foram lembrados pelo Sorocaba, que no auge dos 82 ano continua com uma memória invejável. Fala com muito orgulho de ter sido um bom goleiro, uma posição de tradição na cidade, e também juiz (árbitro), uma ingrata profissão. Foram mais de 40 anos envolvido com o mundo da bola, onde fez muitos amigos e aprendeu muita coisa, deste garcense de nascimento e torcedor do glorioso São Paulo FC.
Primeiro matei a curiosidade, o porque do apelido de Sorocaba? Segundo ele, vem desde o ano de 1953, quando defendia o amador do Garça e jogou na preliminar de Garça x Tupã. Quando o Tupã entrou em campo, o goleiro tupãense de nome Sorocaba era parecidíssimo com ele, seja na aparência, como no porte físico. O Sílvio “Goiano” Peres, então defensor do Garça, falou de imediato: olha o Luiz Guerino no gol do Tupã. Pronto, o apelido ficou.
Voltando ao futebol, disse que naquela época a vida de goleiro era difícil. A maioria dos campos era de terra, a bola de “capotão”, difícil de segurar. Quando chovia, ficava pesada pra burro; se o jogador acertasse na “veia”, era difícil de segurar. A carreira de goleiro do Sorocaba não foi longa; além do amador do Garça, jogou no Guarany, do Sidney, e no Supergasbrás, do Celso Bosquê. Veja num flagrante raro, no gol do Guarany, no antigo Campo do Garça, e repare que a trave era quadrada. Ao fundo o Hospital São Lucas sendo construído. Depois foi técnico do América, do Galdino de Almeida Barros, e por fim dirigiu o time feminino de Garça em três temporadas, que tinha no comando a Carmem Paranhos.
A convite do amigo Galdino Barros aceitou ser juiz, apitando entre os anos de 1957 a 1990. Foi uma fase áurea comandando jogos na várzea, atuando ao lado de grandes árbitros, entre os quais o Romeu Scaramuci, Paulo Beibe, Hércules Barros, Arthur Chekerdemian, Sérgio de Stéfani e o polêmico Moisés Rodrigues Santana. Um jogo marcou para sempre. No dia 18 de agosto de 1978, integrou o trio de arbitragem na festa de inauguração dos refletores do Estádio Municipal “Frederico Platzeck”. A emoção de bandeirar um jogo de seu querido São Paulo contra uma seleção garcense, e ver de perto os ídolos campeões brasileiros de 77: Getúlio, Estevam, Neca, Zé Sérgio, Muller e Edú Bala, sob o comando de Rubens Mineli. Veja no flagrante, da esquerda para direita: Assis Bosquê (prefeito), Edil Ferraz e o filho famoso Waldir Peres, Toninho, João Luiz Zancopé (árbitro), Sorocaba e o volante Chicão do SP. Lembra com saudosismo que trabalhou em muitos jogos nos campos de terra atrás do Hospital São Lucas, onde era poeira para tudo quanto é lado. Admirava muito o esforço e dedicação do Galdino Barros, que organizava as competições sempre com pulso firme e bastante retidão. Recorda até mesmo de um certame onde o Galdino introduziu o cartão azul, para punir jogador indisciplinado com troca por outro. “Foi um dos melhores que apitei”, finalizou. No lado profissional, o Sorocaba se destacou como um gabaritado alfaiate e depois como tintureiro, atividade que exerce até os dias atuais.