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Jornal Comarca de Garça

Postado em 06/12/2017 às 09:00

Interventores falam sobre situação do Hospital São Lucas

Atendendo a um requerimento do vereador Paulo André Faneco (PPS), os interventores do Hospital São Lucas, Renata Ribeiro Branco e Paulo Henrique Tramontini, falaram sobre o trabalho que vem sendo realizado na instituição, durante a sessão camarária de segunda-feira, dia 4 de dezembro. Ambos responderam questionamentos feitos pelos vereadores.

A enfermeira Renata, que também atua na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foi a primeira a falar e explicou que está como interventora desde o último dia 16 de novembro, e que sua área de atuação no processo diz respeito à parte administrativa e operacional da instituição.

“Nós estamos trabalhando em prol de reerguer a Santa Casa e colocar nos eixos os atendimentos. Desde o dia 1.º de dezembro estamos com médico 24 horas no hospital, atendendo convênios, particulares, portaria e SUS. Quando eu entrei, a intervenção estava praticamente montada”, disse ela, ao explanar sobre o trabalho feito.

Segundo a enfermeira, foi iniciado um trabalho para reforma da maternidade, com a colocação de sala de parto humanizado, e dois leitos de estabilização já estão em funcionamento. Isso, segundo ela, é um grande ganho. “Nesse quarto são feitos procedimentos de UTI. Com médico 24 horas, diminui a internação na UPA, pois nos procedimentos de média complexidade os médicos da UPA vão mandar os pacientes com mais segurança para o hospital. A permanência do paciente na UPA tende a diminuir”, disse ela, respondendo a um questionamento do vereador Fábio Polisinani (PSD).

Questionada pela vereadora Patrícia Marangão (PMDB) sobre o acúmulo de função (UPA e hospital), ela disse que sua continuidade na UPA foi um pedido feito por ela, ao ser convidada para atuar no processo de intervenção.

“A intervenção tem prazo para acabar. A UPA tem equipe de enfermeiros e médicos e uma rotina já estruturada. Minha equipe é formada por pessoas muito competentes. Não tem barreira UPA/Hospital São Lucas. Já no que diz respeito ao médico 24 horas, é uma solicitação antiga e uma necessidade. Foi um projeto que já vinha sendo conversado para ser posto em prática”, disse ela à vereadora, ao responder que não tinha sido uma solicitação somente sua.

De acordo com Renata, nas questões operacionais em relação ao SUS e aos pacientes particulares, a equipe da intervenção está gerindo os dois recursos. O questionamento foi feito pelo vereador Paulo André.

“A intervenção tenta gerir os dois, até por conta de precisarmos também dos recursos da Saúde Complementar, mas é importante dizer que o SUS e o particular, a Saúde Complementar ganha com a intervenção. O médico 24 horas, as mudanças estruturais, tudo isso traz mais segurança e confiabilidade e todos saem ganhando”, frisou ela.

Questionada pelo vereador Antônio Franco dos Santos (Bacana), PSB, sobre a segurança dos funcionários, Renata afirmou que os mesmos vinham com uma insegurança anterior.

“Era fácil visualizar a fragilidade pela própria situação. A gente tende a falar que a intervenção veio para ajudar a melhorar, para ajudar a caminhar. Se precisar prorrogar, será prorrogada, mas não pode ficar lá por muito tempo, nem suportaríamos os encargos. Se a Prefeitura sair de cena, o hospital vai caminhar junto com a Irmandade”, disse ela.

Ao ser inquirida sobre a abertura do Pronto Socorro do Hospital São Lucas, e sobre o quanto essa medida “desafogaria” a UPA, a enfermeira disse que a intenção é levar a classificação vermelha à amarela para o Hospital São Lucas.

“A ideia é abrir o hospital e funcionar os dois de forma organizada. A UPA baratearia. Nossa Upa é porte 1 e atende porte 2. Quem paga pelos serviços da UPA é o poder público. No hospital tem recursos, poucos, mas tem. É uma mudança em médio prazo, com uma estrutura melhor. Precisamos de recursos e apelo aos nobres vereadores que corram atrás de emendas parlamentares”, finalizou ela.

 

“Meu mundo é o financeiro e por isso ali estou”

Paulo Henrique Tramontini lembrou que sua área de atuação é a financeira e, da mesma forma que a enfermeira Renata, respondeu aos questionamentos levantados pelos edis. O interventor falou sobre o trabalho realizado para desbloquear recursos e poder atuar no local. 

Trazendo algumas particularidades, como o fato de trabalhar com três contas bancárias distintas e separadas da Irmandade, Tramontini, ao responder ao vereador Rafael Frabetti (DEM), salientou que depois da intervenção, todos os encargos, principalmente no que diz respeito às questões como Fundo de Garantia e INSS, estão em ordem. “Não existe débitos das competências de setembro, outubro e novembro”, frisou ele.

O interventor explicou também que não existe processo de licitação para compras de materiais (questionamento de Pedro Santos - PSD).

“Não somos um órgão público e os valores são pequenos. Seguimos alguns procedimentos, fazendo as cotações mínimas necessárias. Existe um passado que se dissocia. Muitos fornecedores não querem vender para a Santa Casa, mesmo com a intervenção, e os valores são diminutos, entre cinco, seis, sete mil reais. Alguns contratos da Irmandade foram mantidos, desde que proporcionem economia”, falou ele. 

O vereador Bacana colocou que o repasse recebido pela intervenção era para pagar a estrutura e, sendo assim, como era tratada a questão do atendimento. O edil quis saber ainda se com a intervenção há um déficit em relação aos serviços prestados pelo hospital.

Segundo o interventor, sua atuação é em relação à gestão de compras e não de repasses, mas acredita que haja um déficit, embora não tivesse propriedade para falar sobre o assunto.

Paulo André Faneco quis saber assuntos sobre o Termo de Fomento e como funciona o recebimento de recursos (Federal, Estadual e Municipal) a partir da intervenção. “Eles vão para o CNPJ de quem? A Irmandade continua tendo receitas se os recursos são controlados pela intervenção ou vão para a conta da Irmandade que tem um passivo? As contas não sumiram e como a irmandade lida com esse passivo?”, inquiriu o vereador.

“Através do decreto 8571/17 abriram-se novas contas, porém está em nome do CNPJ da Irmandade. A Santa Casa tem flexibilidade que a intervenção não tem e faz a contrapartida na pequena proporção que lhe sobra. Ela recebe a Unimed na conta dela”, falou o interventor.

Ao responder a vereadora Patrícia, no que diz respeito a expectativas, a ter um final feliz, o interventor foi claro. “Não possuo expectativas. No dia 15 de março, quando vencem os primeiros seis meses, verei. O financeiro não trabalha com sonhos. Para fazer uma intervenção desse porte, deve-se amar muito o município. É um remédio amargo que não garanto que vai dar certo. Depende de uma série de fatores que estão sendo construídos. Não posso afirmar isso que me perguntou. Posso dizer que como garcense, torço para dar certo”, disse ele.

“A intervenção é para normalizar o atendimento. Se não pagar dívidas passadas, como voltar para a Irmandade?”, questionou Bacana.

“’Há uma preparação do Hospital São Lucas para saída da intervenção. Isso entra na área da Renata. O hospital é desacreditado, o atendimento estava ruim. Precisa voltar à condição de ocupar todos os leitos. Nosso presidente até tomando café é chamado de ladrão. Doutor Armando tem feito um esforço no seu limite físico e psicológico”, falou Tramontini, lembrando que a questão maior é com relação a tributos e não a fornecedores. 

As dividas tributárias, segundo ele, são valores assombrosos.

 

Demissões?

Paulo André quis saber se houve contratações e demissões depois da intervenção e a forma como tudo foi feito. “Quais os custos operacionais da intervenção? Consegue gerenciar o Hospital São Lucas com os mesmos recursos?”, perguntou o vereador. 

“Demissões, houve uma ou duas, motivadas pela ineficácia dos profissionais, como, por exemplo, um problema que tivemos na portaria. Admissões não aconteceram. Acho que talvez tenha passado a caça às bruxas e a demissão já passou”, falou.

Assim como Renata, o interventor pediu ajuda aos vereadores e utilizou, como ele mesmo disse, a estratagema de Frei Aurélio Di Falco. “Fiz uma contagem aqui. Aqui são 6.380 votos que os senhores puxaram. Temos 18 mil ligações de rede do SAAE. Se cada um desse 10 reais por mês, ajudaria no déficit do Hospital São Lucas. Solicitem ajuda para a Santa Casa junto às suas bases. Não vou dizer que resolveria o problema do hospital, mas ajudaria muito“, finalizou ele.


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