Garça,
Central do Assinante
Jornal Comarca de Garça

História do Jornal

A imprensa interiorana é sempre vista por vários ângulos. A classe política, procura ver em cada linha do jornal, uma mensagem do grupo opositor. A parte empresarial, acha que fazer jornal, não compensa economicamente. E quem se aventura neste empreendimento, passa a ser encarado como um “sofredor”. Uma boa parte dos anunciantes, quando são procurados pelo representante do jornal, sempre afirma que já “colaborei” neste mês, como se o jornal fosse uma instituição de caridade, que precisasse de auxílio, esquecendo-se de sua finalidade comunicativa. A compreensão maior, para quem faz jornal no Interior, fica por conta do povo. Este gosta, aprecia e não dispensa o jornal local por nada. A leitura de suas páginas, torna-se um rito obrigatório e o que o jornal publica, passa a ser aceito como verdade pura acabada.
 
UMA LUTA CONSTANTE 
Garça, por tudo isso, também não foge à regra. Manter um jornal por 70 anos é uma tarefa que exigiu muitos sacrifícios, denodo e abnegação. Não de uma pessoa, mas de um grande grupo que foi se revezando ao longo dessas sete décadas, para permitir que na data de hoje “COMARCA DE GARÇA”, passasse a figurar na galeria dos órgãos de imprensa mais antigos de todo o País.
 
Foi uma luta travada diariamente, pois cada edição do jornal tem sua história própria. A batalha está vencida em sua fase mais aguda, mas não podemos nos esquecer dos grandes vultos que contribuíram para a conquista deste grande laurel.
 
Muitos de nossos ex-colaboradores tanto no setor técnico como na parte redacional, ainda hoje vivem. Outros, não pertencem mais a este mundo. Valendo-se dos arquivos de “COMARCA DE GARÇA” e ainda da nossa própria experiência pessoal, vamos reviver um pouco desta emocionante aventura que é a de manter em circulação um jornal por 70 anos ininterruptos.
 
 
 A HISTÓRIA DE QUEM FAZ HISTÓRIA 
Em maio de 1929, Garça foi elevada a categoria de Município. E como toda cidade que se prezava naquela época, não poderia ficar sem um órgão que interpretasse as aspirações populares, além de veicular o noticiário emanado de suas principais repartições públicas, recém-instaladas.
 
Várias tentativas foram feitas, com o surgimento de alguns jornais, sucumbiam logo após não tinham a estrutura necessária para suportar as grandes dificuldades iniciais de uma imprensa interiorana.
 
Seis anos depois quando a cidade lançava-se na luta por outra grande conquista – a instalação da Comarca – apareceu  este jornal. O nome adotado – Comarca de Garça – já refletia o espírito dominante na época e ainda a sua primeira reivindicação. Contou para a sua fundação com a associação de dois influentes cidadãos, cheios de vibração pela cidade que os acolhia: Francisco Pereira de Mello Junior e Edgard de Castro Marques. O primeiro, mais tarde, viria se transformar em funcionário municipal dos mais categorizados, aposentando-se como secretário da Prefeitura e exercendo, em algumas oportunidades o cargo de prefeito, pois naquele tempo não existia a figura do vice. Chico de Mello foi um dos fundadores também da Associação Comercial de Garça, onde militou por vários anos. Edgard de Castro Marques era pessoa bastante relacionada na cidade, principalmente nos meios da assistência social e uma de suas maiores iniciativas, foi a fundação do Hospital dos Pobres, hoje Hospital e Maternidade Samaritano. Possuía uma tipografia, o que facilitou bastante a tarefa de impressão do jornal, que no entanto, em seu primeiro número, que circulou sob a inteira responsabilidade de Francisco Pereira de Mello Junior, foi confeccionado em Gália, pois naquele instante a cidade não dispunha de gráfica que possibilitasse idêntico trabalho.
 
 
O PRIMEIRO NÚMERO
Exatamente no dia 13 de maio de 1935, veio à lume a primeira edição de “COMARCA DE GARÇA”. Era um jornal modesto, de tamanho tablóide (exatamente a metade do atual), que aos poucos foi ganhando aceitação popular e por conseguinte, evoluindo constantemente. A primeira grande campanha a que se propôs o então mensário, foi a construção do Hospital dos Pobres, sob a égide do Centro Espírita Caminho de Damasco, do qual Edgard de Castro Marques era um dos seus diretores.
 
Inicialmente de circulação mensal, logo em seguida passou para circulação semanal e desta forma permaneceu por mais de 10 anos sob a tutela de Edgard de Castro Marques, pois o seu sócio, Francisco Pereira de Mello Junior, ante seus afazeres particulares, retirou-se do quadro de colaboradores, alguns anos antes.
 
 
 A SEGUNDA FASE 
Vencida esta primeira etapa, que podemos chamar de heróica, o jornal atingiu outra fase ainda mais difícil de ser suplantada. Quando tudo fazia crer que “COMARCA DE GARÇA” tomaria o mesmo destino de várias outras publicações interioranas, condenadas ao desaparecimento prematuro, estimulado e apoiado por vários amigos, destacando-se o dr. Hilmar Machado de Oliveira, descendente da família do fundador da cidade, advogado e homem público de destaque, Augusto do Nascimento Castro, contabilista da empresa Albano Vizotto &Filhos e que também iniciava-se na política conquistando uma cadeira no Legislativo local, acabou adquirindo o acervo do jornal. Que nada mais representava senão uma velha máquina de escrever, alguns móveis de escritório usados e um desorganizado arquivo. A maioria dos números já publicados perderam-se nestes 13 anos, sendo até mesmo vendido a quilo em açougues, destruindo-se um dos maiores arquivos da história garcense.
 
O jornal tomou impulso e realmente se firmou no conceito popular, sob a batuta firme e segura de Augusto do Nascimento Castro. Assumindo uma postura de oposição à administração municipal, nos idos de 1952, o jornal sofreu uma grande pressão, não só na parte física, com o atentado ao seu diretor, mas também econômica. As oficinas onde o jornal era impresso – Tipografia Cruzeiro, que funcionava na esquina da Rua Carlos Ferrari com Barão do Rio Branco – atendendo a solicitação do Executivo, fechou suas portas à “COMARCA DE GARÇA”. A pressão continuou por mais de um mês, com nenhuma tipografia da região aceitando imprimir o jornal, pois temiam uma represália do prefeito garcense da época. Esta situação permaneceu de maio a junho de 1952, quando o “Jornal Paulista”, de Marília resolveu imprimir apenas um número de “Comarca”.
 
Se esta situação trouxe problemas de toda ordem para o jornal, serviu também para engrandecê-lo e dar o grande impulso para a sua consolidação definitiva.
 
Novamente os amigos de Augusto do Nascimento Castro, tendo à frente o dr. Hilmar Machado de Oliveira, resolveram cotizar-se, possibilitando a aquisição de oficinas próprias. Depois de ingentes esforços, foi levantada a importância de Cr$ 70 mil, o necessário para a aquisição de uma máquina impressora manual usada, acompanhada de algumas caixas de tipo, também de segunda mão, junto à firma Tentor & Cia. Ltda., proprietária da Tipografia Central.
 
Assim, em meados de julho/agosto de 1952, instalada numa casa residencial (Rua Santos Dumont, 227), então de propriedade do sr. João Manzano, outro grande amigo deste jornal, a oficina própria começava a funcionar, graças ao trabalho de vários gráficos da Tipografia Central, entre os quais Orlando Covolan José Agostinho da Silva, Francisco Bruno da Silva, Antonio Castro e outros, que na parte noturna, durante toda a semana, preparavam a edição dominical. Acacio do Livramento Docca, era o redator principal ao lado do combativo Antonio Monteiro da Cruz, que um ano mais tarde veio a falecer, representando uma grande perda para o instante difícil que o jornal vivia.
 
Em poucos meses o investimento inicial estava inteiramente amortizado e o jornal deixava-se as modestas instalações que ocupava (a máquina impressora ficava num cercado de tábuas, pois era impossível a sua passagem pelas portas acanhadas da residência), passando para o centro comercial da cidade, à Rua Minas Gerais, 140 num prédio de grandes dimensões, de propriedade da Cerealista Ohira. Hoje, esse prédio não existe mais. No local foi construída uma residência, atualmente de propriedade do sr. José Maria Piola.
 
Experimentando uma fase de expansão, o jornal contratava seus primeiros funcionários, os gráficos Iracildo Alves da Silva (Lalá) e Renato Bencice. Orlando Covolan, continuava como seu impressor, ainda nos períodos noturnos e já oferecia outro tipo de colaboração na feitura de clichês de madeira (xilogravura), dando assim uma nova opção em termos de ilustração. Orlando Covolan, juntamente com Francisco de Assis Bosque, lançaram o “Suplemento Esportivo”, que conquistou rapidamente o público leitor. Assis Bosque ainda permaneceria à frente do corpo de redação, juntamente com Odilon Fontenelle. Inspirados por ambos, Augusto do Nascimento Castro resolveu aumentar a veiculação, passando a editar o jornal também às quintas feiras.
 
Pensando no futuro, adquiriu, por Cr$ 40 mil uma nova impressora, de marca “Alauzet” e que acompanharia o jornal por quase 20 anos. O equipamento adquirido em fins de 1955, somente entrou em funcionamento no ano seguinte, quando o jornal estava em novo endereço: Praça Pedro de Toledo, 23, onde funcionou o Cartório de Registro Civil e mais tarde uma lanchonete. Foi graças ao trabalho paciente de Orlando Covolan, que todas às noites se dedicava em desmontar e recondicionar cada peça da velha impressora, que o jornal atingia uma nova feição gráfica.
 
Isto aconteceu em 1956, no dia 2 de dezembro, quando a primeira tiragem do jornal em novo formato era apresentado ao público, equiparando-o aos grandes centros.
 
As idéias arrojadas de Augusto do Nascimento Castro não pararam por aí. Em 1957 levou as oficinas gráficas , contando agora com novas máquinas, inclusive uma guilhotina, uma picotadeira e uma grampeadora, para o prédio da Rua Heitor Penteado, 89 (atual “Suco 13”). Contando com um espaço maior, Augusto Nascimento montou também uma gráfica para impressos comerciais, valendo-se da primeira impressora, deixando a segunda apenas para ser utilizada na impressão do jornal. Na parte da frente instalou uma papelaria, visando com isto dar uma ocupação para seus filhos menores, um dos quais já participava, desde 1954, com apenas 14 anos, da feitura do jornal. Em 1956, Antonio Augusto Ávila Castro assumia a redação, que antes era confiada a Milton Luiz Belintani, Orlando Covolan, Odilon Fontenelle, Francisco de Assis Bosque e Arthur Chekerdemian.
 
 
 A TERCEIRA FASE 
Em 1959 o jornal experimentava novo salto. Objetivando conseguir meios de seguir mais de perto os acontecimentos cotidianos, Augusto do Nascimento Castro acrescentou mais uma edição à “COMARCA DE GARÇA – a das terças feiras – passando a circular três vezes por semana (domingos, terças e quintas), esquema observando até 1996.
 
Pouco tempo o jornal ficou naquele local, pois em 1960 já passava para o prédio ao lado – Rua Heitor Penteado, 89 –atual Foto Líder. Ali, com maior espaço, a gráfica  comercial em fase de expansão, o jornal iniciava a sua terceira fase, quando sofreu, em 16 de fevereiro de 1963 um grande golpe, com o falecimento  do seu grande inspirador: Augusto do Nascimento Castro, que desaparecia aos 61 anos de idade. Mas, o seu exemplo de honestidade e retidão foi passado aos seus filhos que continuaram editando o jornal com a mesma garra e disposição.
 
Neste período o jornal alcançou algumas marcas expressivas e que até hoje continuam de pé. Na edição do Natal de 64, por exemplo, foi  batido o recorde de páginas, quando o jornal circulou com 62 páginas divididas em dois cadernos de 34 e 28 páginas respectivamente. Somente em 1970, esta posição quase foi alcançada, com a edição do Dia do Município (54 páginas). Também foi o primeiro jornal da cidade a utilizar-se de diversas cores em suas páginas e a imprimir, em 1968, clichês coloridos.
 
Para tudo isso contribuiu a equipe jovem de gráficos, ao lado de nomes experimentados como Julio Pavarini e Jurandir de Oliveira Castro, chefiando os iniciantes, como Hélio Pereira Costa e Antonio Campos, que ainda continuam trabalhando no jornal. Todos sob o comando de Antonio Augusto Ávila Castro, que além de renovar inteiramente a parte redacional do jornal, ainda dedicava-se à feitura gráfica, modernizando a paginação.
 
Em 1970, quando a família de Augusto do Nascimento Castro resolveu desmembrar o jornal da parte gráfica e comercial, o seu comando único passou  para Antonio Augusto Ávila Castro que formou uma nova sociedade juntamente com sua progenitora Antonia Ávila Castro.
 
O jornal estava novamente de mudança: rua Cel. Joaquim Piza, 319 (atual Centro Eletrônico Milpa). Mais do que isto: começava  praticamente no marco zero. Além da velha máquina impressora “Alauzet”, já dando demonstrações de cansaço e fadiga mecânica, uns poucos tipos que mal davam para a composição das edições normais. Revelando um ótimo tino empresarial, Antonio Augusto foi aos poucos remodelando todo o material gráfico, colimando esta modernização em 1975, com a substituição de todos os tipos de composição e a compra de uma nova impressora, assegurando  ao jornal o mesmo padrão de qualidade dos tempos de Augusto do Nascimento Castro.
 
No ano seguinte, começou a realização do grande sonho: a construção do prédio próprio. Foi adquirida uma pequena sala, no quarteirão seguinte, à Rua Cel. Joaquim Piza, 254 e contratado o arquiteto Sigueiro Kudo para confeccionar o projeto. Com muito sacrifício o prédio, um dos poucos projetados no Interior para servir  exclusivamente para um jornal, ficou  pronto em 10 de abril de 1977, quando foi solenemente inaugurado.
 
Finalmente, o velho sonho de Augusto do Nascimento Castro estava realizado. E significou o ponto de partida para outras mudanças que seu filho não parava de arquitetar. Em 1979, foi adquirida uma linotipo, máquina destinada a substituir a composição manual, representando um avanço tecnológico na parte gráfica. Em 1980, outra apreciável aquisição: uma nova impressora, agora totalmente  automática, com capacidade para até 3.500 exemplares por hora.
 
Na parte redatorial, dois nomes se destacaram nesta importante fase: Wilson Gonsalez, editorialista de grande gabarito e competência e Aparecido Martins, como repórter de talento e que prematuramente deixou o nosso convívio.
 
Os garcenses, sem que se apercebessem do fato, passava a contar com um dos mais bem equipados jornais de todo o Estado, inclusive com modernas instalações.
 
Mas esse afastamento durou pouco tempo. Em 1990, aceitando o convite do empresário Antonio Marangão, estava assegurado o retorno de Antonio Augusto ao comando de “COMARCA DE GARÇA”. Essa nova associação, tinha planos mais ambiciosos: modernizar completamente o processo de impressão do jornal. Para isso foram adquiridos os primeiros computadores que entraram em funcionamento na cidade, no início da década de 90 e também uma impressora off-set, para equipar “Comarca” ao mesmo sistema de impressão dos grandes centros.
 
Depois de vencer várias etapas, como treinamento pessoal e instalação dos novos equipamentos eletrônicos, a partir de agosto de 1994, “COMARCA DE GARÇA” passava a ser impressa pelo sistema “off-set”, ganhando uma nova feição gráfica e passando a contar com maiores recursos técnicos.
 
Em 1996, em decorrência deste avanço tecnológico, “COMARCA DE GARÇA” acrescentava as suas edições de terças, quintas e domingos, mais duas edições: quartas e sextas feiras, passando a ter circulação diária.
 
 
 ATUAL
Ao completar 82 anos de existência o Jornal Comarca de Garça demonstra uma grande capacidade de renovação e de avanço no meio editorial local, além de proporcionar aos profissionais da área mais uma frente de trabalho. O periódico se consolidou pela seriedade com que trata a notícia e os assuntos da cidade e região. Superando diariamente os desafios e as dificuldades para levar ao leitor a mais pura informação, com o máximo de objetividade e de neutralidade, a redação cada vez mais se profissionaliza, primando pela ética e pela verdade.
 
Computadores de última geração estão, na redação do Comarca, a serviço da notícia. As máquinas são aliadas dos profissionais, facilitando o seu trabalho, tornando-os mais ágeis na preparação da notícia, o que possibilita o leitor ter o seu exemplar às primeiras horas da manhã, na sua mesa do café. São máquinas, umas para redação de texto, outras para diagramação (dispor as matérias nas páginas), e até aquelas que melhoram a qualidade das fotos que ilustram as notícias. Tudo, aqui no Jornal Comarca cheira a futuro, porque o futuro é e continuará a ser uma grande aventura a ser vivida, a cada dia, nas suas manchetes, títulos, textos e fotos.
 
O Comarca marca sua trajetória pela preocupação de estar sempre atento as novas tecnologias, todas voltadas para a melhoria da qualidade do jornal e para a satisfação do leitor, motivo maior de todo o esforço, dos que compõem hoje a equipe do jornal.  Prova disso é que, procurando adequar-se ao dinamismo da área da comunicação impulsionada pela Internet, o jornal colocou em 1999 sua página na rede mundial de computadores disponibilizando informação em tempo real para os leitores on-line, beneficiando principalmente os garcenses que residem em outras cidades do Brasil e até em outros países, que encontram no site informações atualizadas da “terrinha”. Desta forma, o jornal contribuiu para ampliar o fator de impacto de suas matérias, além de servir de elo entre a cidade e seus conterrâneos que estão em outros pontos do mundo. Desde que entrou em operação, o site do Jornal Comarca www.jornalcomarca.com.br, vem recebendo um crescente número de visitantes de todas as partes do mundo.

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